Aproveitamento Industrial do Pinhão-Manso-Extração do Óleo-

   Nos países importadores, basicamente Portugal e França, as sementes de pinhão-manso sofrem o mesmo tratamento industrial a que são submetidas as bagas de mamona, isto é cozimento prévio o esmagamento subseqüente em prensas tipo "expeller", para extração do óleo, que em seguida, e filtrado, centrifugado e clarificado, resultando, afinal , um produto livre de impurezas.
   O óleo de pinhão-manso, assim produzido, destina-se quase que à fabricação do sabão, não obstante tenha sido empregado durante a segunda guerra mundial, nos países colonizados da África, em Madagascar e na então África Ocidental Francesa, como sucedâneo do óleo lubrificante ou como carburante, diretamente nos motores de ciclo diesel. Neste último emprego os resultados foram considerados satisfatórios, comparáveis aos apresentados com óleo diesel derivado do petróleo. Além de sua utilização na indústria têxtil, o óleo de pinhão-manso, adicionado ao óleo de tungue em proporções até 5%, constitui matéria-prima para a fabricação de tintas de impressão ou de vernizes, que são usados em revestimentos de lonas e de caixas condicionadoras.
   No Brasil, não há registro de nenhuma experiência de beneficiamento industrial das sementes de pinhão-manso, sendo que o interesse maior da planta reside na formação de cerca viva divisória ou de proteção contra ventos e animais, prática bastante difundida nas fazendas e localidades distantes do Norte e Nordeste de Minas Gerais.
   Eventualmente, os moradoras dessas áreas colhem as sementes maduras e delas extraem o óleo para fazer sabão ou para iluminação das casas, em candeias, cuja combustão, se realiza sem produzir fumaça nem odor. A extração caseira do óleo requer, inicialmente o esmagamento das sementes em monjolos ou pilões; depois, cozesse a massa oleosa em água até à fervura; separa-se, afinal o óleo com emprego de colher de pau.
   Segundo se registra na literatura científica, o óleo de pinhão-manso já foi empregado no passado para a iluminação pública nas zonas rurais do Rio de Janeiro e até mesmo em Lisboa. Outras aplicações da planta, sobre tudo nas áreas pobres do Jequitinhonha, devem-se ao efeito medicinal que apresentam certas partes da planta, tais como as folhas, que têm ação anti-sifilítica, e a seiva, que possui propriedades hemostáticas, isto é, cura e cicatriza as feridas; ou ainda as raízes que apresentam atividade anti-leucêmica, conforme mostram estudos recentes desenvolvidos no Japão.
   O emprego medicinal das sementes do pinhão-manso, especialmente no tratamento de bovinos, baseia-se em sua ação purgativa bastante enérgica, que pode até causar a morte do animal , desde que a ingestão de grãos seja exagerada.

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