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Nome científico: Jatropha
curcas L.
Família botânica:
Euphorbiaceae
Outos nomes populares:
Pinhão-paraguaio,
pinhão-de-purga,
pinhão-de-cerca,
purgante-de-cavalo,
manduigaçu, mandubiguaçú,
figo-do-inferno, purgueira,
mandythygnaco, pinhão croá.
Honduras, El Salvador:
Tempate
EUA: physic nut, purging nut,
Barbados nut
França: médicinier, pignon
d'Inde, purghère
O pinhão pertence à família
das Euforbiáceas, a mesma da
mamona e da mandioca.
Segundo Cortesão (1956), os
portugueses distinguem duas
variedades, catártica
medicinal, a mais dispersa
no mundo, com amêndoas muito
amargas e purgativas e a
variedade árvore de coral,
medicinal-de-espanha,
árvores de nozes purgativas,
com folhas eriçadas de pêlos
glandulares que segregam
látex, límpido, amargo,
viscoso e muito cáustico.
É um arbusto grande, de
crescimento rápido, cuja
altura normal é dois a três
metros, mas pode alcançar
até cinco metros em
condições especiais. O
diâmetro do tronco é de
aproximadamente 20 cm;
possui raízes curtas e pouco
ramificadas, caule liso, de
lenho mole e medula
desenvolvida mas pouco
resistente; floema com
longos canais que se estende
até as raízes, nos quais
circula o látex, suco
leitoso que corre com
abundância de qualquer
ferimento. O tronco ou fuste
é dividido desde a base, em
compridos ramos, com
numerosas cicatrizes
produzidas pela queda das
folhas na estação seca, as
quais ressurgem logo após as
primeiras chuvas (Cortesão,
1956; Brasil, 1985).
Ainda de acordo com Cortesão
(1956) e Brasil (1985), as
folhas do pinhão são verdes,
esparsas e brilhantes,
largas e alternas, em forma
de palma com três a cinco
lóbulos e pecioladas, com
nervuras esbranquiçadas e
salientes na face inferior.
Floração monóica,
apresentando na mesma
planta, mas com sexo
separado, flores masculinas,
em maior número, nas
extremidades das
ramificações e femininas nas
ramificações, as quais são
amarelo-esverdeadas e
diferencia-se pela ausência
de pedúnculo articulado nas
femininas que são largamente
pedunculadas.
O fruto é capsular ovóide
com diâmetro de 1,5 a 3,0
cm. É trilocular com uma
semente em cada cavidade,
formado por um pericarpo ou
casca dura e lenhosa,
indeiscente, inicialmente
verde, passando a amarelo,
castanho e por fim preto,
quando atinge o estágio de
maturação.
Contém de 53 a
62% de sementes e de 38 a
47% de casca, pesando cada
uma de 1,53 a 2,85 g.
A semente é relativamente
grande; quando secas medem
de 1,5 a 2 cm de comprimento
e 1,0 a 1,3 cm de largura;
tegumento rijo, quebradiço,
de fratura resinosa. Debaixo
do invólucro da semente
existe uma película branca
cobrindo a amêndoa; albúmen
abundante, branco,
oleaginoso, contendo o
embrião provido de dois
largos cotilédones
achatados.
A semente de pinhão, que
pesa de 0,551 a 0,797 g,
pode ter, dependendo da
variedade e dos tratos
culturais, etc, de 33,7 a
45% de casca e de 55 a 66%
de amêndoa. Nessas sementes,
segundo a literatura, são
encontradas ainda, 7,2% de
água, 37,5% de óleo e 55,3%
de açúcar, amido,
albuminóides e materiais
minerais, sendo 4,8% de
cinzas e 4,2% de nitrogênio.
Segundo Silveira (1934),
cada semente contém 27,90 a
37,33% de óleo e na amêndoa
se encontra de 5,5 a 7% de
umidade e 52,54 a 61,72% de
óleo. Para Braga (1976) as
sementes de pinhão manso
encerram de 35 a 40% de óleo
inodoro e fácil de extrair
por pressão. Segundo Peckolt
(sd) este óleo, com peso
específico a +19ºR = 0,9094
e poder calorífico superior
a 9,350 kcal/kg (Brasil,
1985), é incolor, inodoro,
muito fluído, porém deixa
precipitar-se a frio e
congela-se a alguns graus
acima de zero; é solúvel na
benzina e seus homólogos,
insolúvel no álcool a 96 ºC
e solúvel em água.
Destrói-se a toxidez,
aquecido a 100 ºC, em
solução aquosa com apenas 15
min. de calor.
O Pinhão manso (Jatropha
curcas L.) está sendo
considerado uma ótima opção
agrícola para regiões com
solos pouco férteis e secos e por ser uma espécie
nativa no Brasil, é exigente em
insolação e com forte
resistência a seca.
Atualmente, essa espécie está sendo explorada
comercialmente com muitos
projetos de plantio no Brasil,
mas segundo Carnielli (2003)
é uma planta oleaginosa
viável para a obtenção do
biodiesel, pois produz, no
mínimo, duas toneladas de
óleo por hectare,
iniciando a sua
produção com um ano e levando três anos para
atingir a idade adulta com
plena carga produtiva,
que pode se estender por 50
anos ou mais.
Com a possibilidade do uso
do óleo do pinhão manso para
a produção do
Biodiesel, abrem-se amplas
perspectivas para o crescimento das áreas de plantio com
esta cultura no Brasil.
Para Purcino e Drummond
(1986) o pinhão manso é uma
planta produtora de óleo com
todas as qualidades
necessárias para ser
transformado em Biodiesel.
Além de perene e de fácil
cultivo, apresenta boa
conservação da semente
colhida, podendo se tornar
grande produtora de matéria
prima como fonte opcional de
combustível. Para estes
autores, esta é uma cultura
que pode se desenvolver nas
pequenas propriedades, com a
mão-de-obra familiar
disponível, como acontece
com a cultura da mamona, sendo mais uma fonte
de renda para as
propriedades rurais. Além disso,
como é uma cultura perene,
segundo Peixoto (1973), pode
ser utilizado na conservação
do solo, pois o cobre com
uma camada de matéria seca,
reduzindo, dessa forma, a
erosão e a perda de água por
evaporação, evitando
enxurradas e enriquecendo o
solo com matéria orgânica
decomposta.
O plantio do pinhão já é
tradicionalmente utilizado
como cerca viva para pastos
no Norte de Minas Gerais,
com a vantagem de não ocupar
áreas importantes para
outras culturas e pastagens
e favorecer o consórcio nos
primeiros anos, pois o
espaçamento entre plantas é
grande (Purcino & Drummond,
1986).
|
Óleo de
pinhão manso em
comparação com óleo
diesel |
|
Parametro |
Diesel |
Biodiesel de pinhão
manso |
|
Energia (MJ/kg) |
42.6 - 45.0 |
39.6 - 41.8 |
|
Spec. peso (15/40
°C) |
0.84 - 0.85 |
0.91 - 0.92 |
|
Ponto de
solidificação |
-14.0 |
2.0 |
|
Ponto de fulgor |
80 |
110 - 240 |
|
Valor do cetano |
47.8 |
51.0 |
|
Enxofre |
1.0 - 1.2 |
0.13 |
História
do Pinhão-manso
Vários cientistas tentaram definir a origem do pinhão manso,
mas sua origem é bastante controversa. Acredita-se que
o pinhão manso proceda da América do Sul, possivelmente
originária do Brasil, tendo sido introduzida por navegadores
portugueses, em fins do século XVIII, nas ilhas de Cabo
Verde e em Guiné, de onde mais tarde foi disseminada pelo
continente africano. No começo do século XIX era usado, em
alguns países, para aumentar a ação purgativa do óleo de
rícino, com o qual era misturado.
No passado o pinhão manso era bastante plantado nas
divisas de sítios, para mangueirões de porcos,
plantava-se um pé ao lado do outro, quando crescido
fechava a linha e os porcos ficavam cercados, isto em São
Paulo, Goiás e Minas Gerais. Atualmente em algumas
localidades destas regiões encontramos algumas plantações.
Era usado também para fazer sabão, triturando a semente.
Usava-se também como remédio para prisão de
ventre. Em algumas regiões,
o pinhão manso é considerado erva-daninha.O nome Jatropha, deriva do grego iatrós
(doutor) e trophé (comida), implicando as
suas propriedades medicinais. curcas é o nome
comum para o pinhão manso em Malabar, Índia. |