Pinhão Manso x Mamona- Algumas Considerações

Embora o governo tenha lançado um programa de incentivo ao plantio de mamona, os resultados até o momento estão abaixo do esperado, os produtores não estão encantados com a mamona como o governo, isso se refletiu na produção que ficou aquém do esperado. A insegurança dos produtores vem da grande instabilidade do preço da saca de mamona, os ainda tímidos investimentos privados em fábricas de Biodiesel, um eventual excesso de oferta, além da competitividade com outras oleaginosas, entre outros fatores.
  O governo perdeu o entusiasmo inicial e está reavaliando a utilização da mamona no programa de Biodiesel, restringiu geograficamente a importância da mamona, diminuiu a expectativa de produção do Biodiesel nacional através da mamona.

  "A mamona é vista como parte importante do projeto, mas não como cultura prioritária ou exclusiva no programa", esclarece Arnoldo de Campos, representante do Ministério do Desenvolvimento Agrário na Comissão Executiva Interministerial e no Grupo Gestor do Biodiesel.

  Assim os produtores estão buscando alternativas a mamona, e uma das mais procuradas e promissoras oleaginosas do Brasil é o Pinhão Manso, que vem ganhando força como alternativa a mamona, devido as suas características singulares e vantagens em relação à mamona.

Algumas vantagens do pinhão manso em relação à mamona:

- O pinhão manso pode ser cultivado desde o nível do mar até em altitudes superiores a 1000 m, adaptando-se tanto nos terrenos de encosta, áridos, como em solos úmidos.

- Produz bem em terras de pouca fertilidade.

- É uma planta perene, produz por mais de 50 anos. (até 100 anos )

- Sua colheita se estende por cerca de seis meses.

– É uma planta socialmente correta, pois sua colheita é manual, e temos no Brasil milhões de trabalhadores sem qualificação profissional.

- Ecologicamente correta, não usa agrotóxicos, ao menos por enquanto.

- Alta produção por hectare. cerca de 6.000 a 8.000 quilos de semente com aproximadamente 2.500  a 3.500 litros de óleo e uma renda média aproximada de  R$ 3.000,00 por ha.

 
Inclusão Social através da produção de Biodiesel de Pinhão Manso em 01 Hectare

Um hectare de Pinhão Manso pode gerar até 8.000 kg de sementes, podendo resultar 3.840 litros de biodiesel. Se consorciada com o feijão de ciclo curto, um hectare de lavoura é suficiente para promover a inclusão social de uma família em estado de miséria.
Um ônibus urbano, que pode consumir anualmente 40.000 litros do biocombustível, tem o poder mágico de promover a inclusão social de até 190 famílias, e ainda transformar-se num eficiente soldado no combate ao efeito estufa e à poluição ambiental.
Numa outra forma, com 270 litros de biodiesel é possível gerar um megawatt-hora de eletricidade. Gerando 14 Mwh de bioeletricidade promove-se a inclusão social de três família rural.
Neste ponto torna-se bastante oportuno e necessário ressaltar os benefícios ambientais do biodiesel. É fato comprovado que a combustibilidade do biodiesel é muito superior a do petrodiesel, razão pela qual, a mistura biodiesel/petrodiesel na proporção de 20-25% resulta na completa eliminação da fuligem das emissões veiculares.
Atribui-se às excessivas incrustações de fuligem nos pulmões, fenômeno especialmente constatado nos grandes centros urbanos, como um fator dominante da tuberculose crônica moderna, responsável por um número de óbitos superior aos motivados pela AIDS.
Esta é a razão original do porque ‘todos os ônibus urbanos na França usam misturas biodiesel/petrodiesel em proporções balizadas em suas disponibilidades’.
Estimativas da Embrapa indicam que um hectare de lavoura de mamona ou pinhão manso é capaz de absorver anualmente, pela fotossíntese, cerca de 8 toneladas de gás carbono, devolvendo para a atmosfera, quase 6 toneladas de oxigênio puro, combatendo o danoso efeito estufa.
Segundo o Tratado de Quioto, o seqüestro de gás carbono está valendo dinheiro, a razão atual de US$ 6 a tonelada, nos chamados ‘certificados de carbono’ que prometem valer muito mais no futuro.
A eliminação do enxofre do óleo diesel nas refinarias de petróleo é questão fechada na Europa que já iniciou uma ambiciosa agenda contida em protocolo.
Dos processos de retirada do enxofre contido originalmente no óleo diesel mineral resulta na destruição das mercaptanas, substâncias responsáveis pela lubricidade do produto. A linguagem popular diz que o óleo diesel fica aguado.
A reposição dessa característica, imprescindível para a longevidade dos motores, tem sido feita adicionando biodiesel na proporção de 5 a 8%, quando a lubricidade torna-se adequada, mesmo para os equipamentos modernos de alta velocidade.
Um fato auspicioso é que a lubricidade do biodiesel de mamona e pinhão manso é 30% superior ao biodiesel oriundo dos demais óleos, significando um considerável diferencial em favor do biodiesel de mamona que tem a capacidade de reconstituir a lubricidade do petrodiesel dessulfurado a razão de 30% a menos.
Cada tonelada de pinhão manso processada obtém-se cerca de 600 kg de torta, um precioso biofertilizante, capaz de combater as doenças do solo, os nematóides.
Associando a propriedade nematicida ao seu elevado teor de nitrogênio, o preço da torta tem crescido sistematicamente, já alcançando a marca dos R$ 300,00 à tonelada no Nordeste e R$ 500,00 no Sul e Centro Sul.
Uma questão que tem sido discutida é a viabilidade econômica da produção do biodiesel a partir do óleo de mamona. Pergunta-se: É possível viabilizar economicamente o biodiesel de mamona quando o preço do quilograma do óleo virgem situa-se em níveis mais elevados que os próprios preços do óleo diesel mineral?
Este assunto merece as seguintes considerações: Análise econômica recente demonstra que o preço máximo admissível de um óleo vegetal para ser convertido em biodiesel competitivo é de US$ 400 a tonelada, ou seja, a R$ 1,15 o quilo.
O Presidente Lula, em sua última audiência concedida sobre o tema biodiesel, com duração de duas horas e meia, foi muito claro e enfático afirmando que o Programa Nacional do Biodiesel tinha um endereço preferencial às regiões semi-áridas, e que depositava nas lavouras familiares de mamona e pinhão manso uma rara opção de desenvolvimento.