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CURSO DE BIODIESEL EM FASCÍCULOS- DA OLEAGINOSA A PRODUÇÃO FINAL - CUSTOS- |
Espera aí: mas o que é biodiesel, mesmo? Fascículo 1Muito se tem falado neste nome hoje em dia no Brasil. Mas será que todos sabem realmente o que é, de fato, o biodiesel? Nessa nova série de matérias, vamos dar início esclarecendo uma dúvida muito comum entre os que estão ingressando no setor. Se olharmos com ar mais atento, muitos também que estão no setor também têm lá suas hesitações. A definição de biodiesel, de consenso comum entre os pesquisadores é: Biodiesel é um combustível renovável, biode-gradável e ecologicamente correto, constituído de uma mistura de ésteres metílicos ou etílicos de ácidos graxos, obtidos por reação de transesterificação de qualquer tri glicerídeo com um álcool de cadeia curta, metanol ou etanol, respectivamente. ANP A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis-ANP tem a sua própria definição, que é a utilizada para todos os efeitos legais e de controle de Qualidade. I –
Biodiesel – B100: combustível composto de alqui-ésteres
de ácidos graxos de cadeia longa, derivados de óleos
vegetais ou de gorduras animais, conforme a
especificação contida no Regulamento Técnico nº 4/2004,
parte integrante desta Resolução; NBB A definição americana do Biodiesel, aceita pelo National Biodiesel Board-NBB, através da especificação ASTM D6751/2002, item 3 (“Terminology”), estabelece: “Biodiesel é um combustível composto de mono-alquil-éster de cadeia longa de ácidos graxos, derivado de óleos vegetais ou gorduras animais, designado B100. Biodiesel é tipicamente produzido através da reação de óleos vegetais ou gorduras animais com álcool, como metanol ou etanol, na presença de catalisadores, para se produzirem mono-alquil ésteres e glicerina, que é removida. O Biodiesel resultante é derivado, em 10% de sua massa, do álcool reagido. O álcool utilizado na reação poderá ser proveniente de fontes renováveis.” O que não é biodiesel — Qualquer óleo vegetal puro:
soja, girassol, canola, mamona, palma, babaçu,
algodão e outros. O que não é Há também que ser ressaltado o que não é biodiesel. E isso, sem dúvida, é uma questão que tem deixado os pesquisadores de cabelo em pé quando ouvem por aí algumas definições nem sempre felizes. E o pior: a mídia é a maior vilã nesses casos, ouvindo e dando espaço para experiências que muitas vezes não tem o devido elo com a teoria básica da química, da engenharia e até da filosofia do biodiesel. Cuidado: abastecer qualquer tipo de veículo com produto que não é biodiesel pode trazer danos graves ao componentes internos do motor. Sim, o sistema funciona, mas não há garantia quanto à sua durabilidade e prazo de vida útil. Vantagens do Biodiesel no Brasil Estratégicas — Biodiesel é um
sucedâneo do óleo diesel, principal combustível
consumido pelo País (mais de 36 bilhões de litros em
2002. Vantagens econômicas e sociais — O biodiesel é um
combustível renovável, cujo processo produtivo gera
um grande número de empregos na area rural. Vantagens ambientais e energéticas — A utilização do
biodiesel representa ganho ambiental significativo,
tanto no que se refere à redução das emissões, ao
uso em motores ciclo diesel, quanto ao balanço de
CO2 emitido na queima e absorvido pela biosfera. Vantagens tecnológicas — O biodiesel, misturado com o óleo diesel, tende a melhorar as características deste derivado de petróleo – aumenta a lubricidade (importante para o óleo diesel de baixo teor de enxofre), reduz o teor de enxofre, e eleva o número de cetano.
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Qual a melhor matéria-prima para produzir biodiesel? Fascículo 2Esse é um dos grandes questionamentos que se tem quando o assunto é biodiesel. Com a grande diversidade de oleaginosas não é muito difícil ficar na dúvida na hora da escolha. Contudo, para o bom rendimento da produção seja qual for a matéria-prima é importante conhecê-la em todos os aspectos
A princípio empregar uma única
matéria-prima para produzir biodiesel num país com a
diversidade do Brasil seria um grande equívoco. Na
Europa se usa predominantemente a colza, por falta
de alternativas, embora se fabrique biodiesel também
com óleos residuais de fritura e resíduos
gordurosos.
Em nosso caso temos dezenas de alternativas, como demonstram experiências realizadas em diversos Estados com oleaginosas como a mamona, dendê, soja, girassol, pinhão manso, caroço de algodão, nabo forrageiro, amendoim, babaçu, etc.
Cada cultura desenvolve-se melhor
dependendo das condições de solo, clima, altitude e
assim por diante. Todos os óleos vegetais,
enquadrados na categoria de óleos fixos ou
triglicerídicos, podem ser transformados em
biodiesel. Os chamados óleos essenciais constituem
uma outra família de óleos vegetais, não podendo ser
utilizados como matérias-primas para a produção de
biodiesel. Tais óleos são voláteis, sendo
constituídos de misturas de terpenos, terpanos,
fenóis e outras substâncias aromáticas. É interessante e muito importante o conhecimento profundo sobre a matéria-prima a ser utilizada como sua origem, clima indicado, os cuidados, as possíveis doenças, os tratamentos, a produtividade, o teor de óleo, as características da oleaginosa para o biodiesel etc. Além dos óleos vegetais as matérias-primas para a produção de biodiesel podem ter as seguintes origens:
Gorduras de Animais Os óleos e gorduras de animais possuem estruturas químicas semelhantes as dos óleos vegetais, sendo moléculas triglicerídicas de ácidos graxos. As diferenças estão nos tipos e distribuições dos ácidos graxos combinados com o glicerol. Portanto, as gorduras de animais, pela sua estrutura química semelhante aos óleos vegetais, também podem ser transformadas em biodiesel. Os exemplos de gorduras de animais são o sebo bovino, os óleos de peixes, o óleo de mocotó, a banha de porco, entre outras matérias graxas de origem animal. Óleos e Gorduras Residuais Além dos óleos e gorduras virgens, os óleos e gorduras residuais, resultantes do processamento domésticos, comerciais e industriais também servem de matéria-prima. As possíveis fontes de óleos e gorduras residuais são: as lanchonetes, as cozinhas industriais, comerciais e domésticas, onde são praticadas as frituras de alimentos, indústrias nas quais processam frituras de produtos alimentícios, como amêndoas, tubérculos, salgadinhos, e várias outras modalidades de petiscos, os esgotos municipais onde a nata sobrenadante é rica em matéria graxa, possível de extrair óleos e gorduras, águas residuais de processos de certas indústrias alimentícias, como as indústrias de pescados, de couro, etc. Os óleos de frituras
representam um potencial de oferta surpreendente,
superando, as mais otimistas expectativas. Tais
óleos têm origem em determinadas indústrias de
produção de alimentos, nos restaurantes comerciais e
institucionais, e ainda, nas lanchonetes. Também são surpreendentes os volumes ofertados de sebo de animais, especialmente de bovinos, nos países produtores de carnes e couros, como é o caso do Brasil. Tais matérias-primas são ofertadas, em quantidades substantivas, pelos curtumes e pelos abatedouros de animais de médio e grande porte. |
Características
Físico-químicas
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Processo de produção
de Biodiesel
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As cadeias
produtivas
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| Grupo | Óleos e gorduras animais | Óleos e gorduras vegetais | Óleos e residuais de fritura | Óleos e graxas de esgoto |
| Origens | Matadouro Frigoríficos Curumes | Agriculturoras temporárias e permanentes | Cocções comerciais e industriais | Água residuais das cidades e de certas indústrias |
| Obtenção | Extração com água e vapor |
Extração mecânica, com solven- tes e extração mista |
Acumulações e Coletas |
Processos em pesquisa e
desenvolvi- mento |
A - Visão em Cadeia Produtiva
A visão e abordagem da produção de biodiesel a luz de cadeias produtivas, com certeza, é imperativa, pois as interdependências entre os seus elos podem definir o sucesso ou fracasso dos empreendimentos.
B - Processos de Extração de Óleo
Os processos de extração do óleo de grãos ou amêndoas oleaginosas podem ser definidos nos seguintes estilos ou rotas:
A seleção da rota de extração depende de dois fatores determinantes, a capacidade produtiva e o teor de óleo do grão.
O quadro apresentado a seguir, mostra os cenários e as rotas recomendáveis.
Indicação de Rotas Adequadas para Extração de Óleos Vegetais
| Tipos de Usinas | Situações Recomendadas | Matérias-primas típicas |
| Usinas de Extração Mecânica | -
Pequenas e médias capacidades, nomal-mente. - Oleaginosas de alto teor de óleo, acima de 30%. |
Mamona Amendoim Babaçu |
| Obtenção | -
Grandes capacidades, normalmente acima de 300
ton/dia de matéria-prima. - Oleaginosas com baixo teor de óleo, abaixo de 25%. |
Soja |
| Usinas Mistas | - Médias
e grandes capacidades, acima de 200 ton/dia. - Oleaginosas de médio e grande teor de óleo, acima de 25%. |
Algodão, Mamona, Amendoim, Babaçú e Girassol |
Óleos Residuais de Frituras
Existem alguns problemas técnicos com respeito a transformação dos óleos residuais de frituras, face a heterogeneidade da matéria-prima com respeito ao grau de acidez, do teor de umidade e da presença de certos contaminantes, no entanto, uma competente equipe da COPPE e da Escola de Química da UFRJ, estão administrando muito bem tais dificuldades, e os resultados até o presente momento têm se mostrado satisfatórios.
Óleos e Gorduras Residuais de Esgotos
Esta possibilidade reveste de extraordinária importância não somente pela abundância dessa matéria-prima, como também como artifício para evitar a transformação dessa matéria graxa em metano, um danoso contribuinte para o efeito estufa.
A possibilidade de transformação da matéria graxa em biodiesel, tem sido demonstrada em laboratório como factível, pela equipe que se preocupa com as questões ambientais e com o biodiesel na UFRJ. Necessário se faz continuar tais pesquisas e desenvolvimentos para num menor espaço de tempo, possamos mensurar os resultados destas pesquisas.
A Questão da Glicerina
A grande maioria das pessoas envolvidas no universo do biodiesel, sejam cientistas, tecnólogos ou administradores, estão preocupados com a mercado da glicerina.
De fato, apesar das inúmeras aplicações dessa substância, existe uma enorme diferença entre a demanda, as aplicações e os valores praticados no mercado energético.
A glicerina oriunda do processamento do biodiesel, cuja concentração é 88% é denominada comercialmente glicerina loura. No entanto, é possível agregar mais valor a este produto, desde que seja reprocessada, onde o nível de concentração chega a 92%.
A glicerina de origem vegetal ou animal tem o mesmo valor de mercado, tendo a concentração fator determinante ao valor.
A princípio para cada metro cúbico de biodiesel produzido, produz como subproduto100 kg de glicerina. O mercado químico, não terá condições de absorver tamanha oferta.
Além disso, a implementação da produção de biodiesel deverá rebaixar progressivamente o preço da glicerina, hoje em torno de US$ 1.000 a tonelada. A medida que o preço diminui, novas possíveis aplicações estão sendo viabilizadas, e ainda, com certeza a abundância de glicerina no mercado deverá suscitar aplicações de grandes demandas que deverão segurar os preços em patamares fixos e convenientes.
É provável que possam ser desenvolvidos algumas matérias plásticas, onde as aplicações da glicerina possa em algum momento acomodar o mercado em partamares interessantes.
Em paralelo, a adição de glicerina em certos alimentos para melhorar as propriedades sensoriais, promovendo o que se denomina de after taste, poderá fazer parte do novo cardápio da gliceroquímica.
Por outro lado, as aplicações da glicerina na agricultura, podem ser ampliadas, desde que seu preço seja compatível com a atividade.
Uma outra premissa por demais verdadeira é que os decréscimos progressivos das receitas obtidas com a glicerina serão suficientemente compensados pelos futuros aumentos dos preços do biodiesel induzidos pelos crescentes aumentos dos preços do petróleo.
Enfim, como recomendação:
1.
Devemos precaver-se com a evolução mercadológica, em
função do aumento da oferta.
2. Novos produtos e aplicações em fase de
desenvolvimento poderão equalizar o mercado.
O Governo Federal emitiu Decreto instituindo grupo de trabalho para avaliar a viabilidade do uso do biodiesel como fonte alternativa de energia e, em 23 de dezembro de 2003, instituiu por meio de Decreto a comissão executiva interministerial encarregada da implementação de ações direcionadas à produção e ao uso do biodiesel no Brasil;
A ANP editou as Resoluções ANP nº 41 e n° 42, as quais estabeleceram, respectivamente, a obrigatoriedade de autorização da ANP para a atividade de produção do biodiesel, e as especificações técnicas para a produção e comercialização do biodiesel;
O Governo Federal promulgou a Medida Provisória nº 227, convertida na Lei nº 11.116, de 18 de maio de 2005, bem como os Decretos nº 5.297 e nº 5.298.
Posteriormente, a Secretaria da Receita Federal editou as Instruções Normativas nº 516 e nº 526, de 22 de fevereiro de 2005 e de 15 de março de 2005, respectivamente.
Esses dispositivos regulamentam o registro especial de produtor ou importador de biodiesel junto à Secretaria da Receita Federal, os coeficientes de redução das alíquotas de contribuição para o PIS/PASEP e COFINS incidentes na produção e comercialização do biodiesel, bem como a isenção para a contribuição do IPI incidente sobre o biodiesel;
O Governo Federal promulgou a Lei do Biodiesel, que introduz o biodiesel na matriz energética brasileira e amplia o escopo de atuação da ANP, que passou a regulamentar também as atividades de produção e comercialização de biocombustíveis.
Além disso, essa lei fixou percentuais mínimos obrigatórios de adição de biodiesel ao óleo diesel comercializado aos consumidores finais, determinando que o percentual de adição mínimo deverá ser de 2,0% de 2008 a 2012, atingindo 5,0% até 2013;
O MDA editou as Instruções Normativas nº 01 e nº 02, respectivamente, as quais regulamentam os critérios e procedimentos relativos à concessão do Selo Combustível Social e ao enquadramento de projetos de produção de biodiesel ao Selo Combustível Social; que beneficia a inclusão social junto a agricultores familiares;
O CNPE, no uso de atribuição conferida pela Lei do Biodiesel, determinou a obrigatoriedade de aquisição do biodiesel de produtores detentores do Selo Combustível Social;
O MME editou a Portaria nº 483, que estabelece as diretrizes para a regulamentação dos leilões públicos de compra de biodiesel. Posteriormente, em 04 de novembro de 2005, a ANP editou a Resolução nº 31, que regulamenta os leilões públicos para compra do biodiesel, determinando seus procedimentos e requisitos para participação.
Pilares do Biodiesel do Brasil
Desafio: Implantar um projeto energético auto-sustentável, consideran-do preço, qualidade e garantia de suprimento do biodiesel, propiciando a geração de renda com a inclusão social
Ministério de Minas e Energia–MME
O MME é o principal órgão regulador do setor energético, atuando como poder concedente em nome do Governo Federal, e tendo como sua principal atribuição o estabelecimento das políticas, diretrizes e da regulamentação desse setor.
Ministério do Desenvolvimento Agrário–MDA
O MDA foi criado por meio da Lei nº 10.683, de 28 de maio de 2003, sendo responsável por promover o desenvolvimento agrário, com enfoque na inclusão social e desenvolvimento humano dos trabalhadores rurais. O MDA é responsável pela concessão do Selo Combustível Social a produtores e projetos de produção de biodiesel.
Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis–ANP
A ANP é uma autarquia criada pela Lei nº 9.748, de 6 de agosto de 1997. A função da ANP é regular, fiscalizar e promover a contratação no setor de petróleo, gás natural e biocombustíveis no Brasil. Uma das principais diretrizes da ANP é a criação de um ambiente competitivo para as atividades de petróleo, gás natural e biocombustíveis no Brasil, levando a menores preços e melhores serviços para os consumidores finais. As atividades de produção, importação, exportação, armazenagem, distribuição e comercialização de biodiesel sujeitam-se à regulação e autorização da ANP.
Conselho Nacional de Política Energética–CNPE
Em agosto de 1997 foi criado o CNPE, com o objetivo de auxiliar o Presidente da República a criar e desenvolver a política energética nacional. O CNPE é presidido pelo Ministro das Minas e Energia e a maioria de seus membros são ministros do Governo Federal. O objetivo principal do órgão é otimizar a utilização dos recursos energéticos brasileiros e garantir o suprimento de energia do País. A Lei do Biodiesel confere ao CNPE a faculdade de antecipar os prazos de obrigatoriedade do uso do biodiesel no Brasil.
Os resultados dos benefícios proporcionados pelo Selo, que entre outras coisas determina que o produtor de biodiesel adquira parte das matérias-primas da agricultura familiar e com isso ganha o direito de participar dos leilões de biodiesel, ganhou destaque e é hoje um dos apelos mais fortes do setor.
Já os benefícios para os agricultores vão muito além. De acordo com estudos dos Ministérios do Desenvolvimento Agrário, da Agricultura, Pecuária e Abastecimento da Integração Nacional e Ministério das Cidades a cada 1% de substituição de óleo diesel por biodiesel produzido com a participação da agricultura familiar podem ser gerados cerca de 45 mil empregos no campo, com uma renda média anual de aproximadamente R$ 4.900,00 por emprego.
Se para 1 emprego no campo são gerados 3 empregos na cidade, seriam criados, então, 180 mil empregos. Numa hipótese otimista, 6% de participação da agricultura familiar no mercado de biodiesel, seriam gerados mais de 1 milhão de empregos.
Os benefícios
No Semi-Árido, por exemplo, a renda anual líquida de uma família a partir do cultivo de cinco hectares com mamona e uma produção média entre 700 e 1,2 mil quilos por hectare, pode variar entre R$ 2,5 mil e R$ 3,5 mil.
Além disso, a área pode ser consorciada com outras culturas, como o feijão e o milho. Os produtores que possuem o Selo têm acesso a alíquotas de PIS/Pasep e Cofins com coeficientes de redução diferenciados, acesso a melhores condições de financiamento junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e a instituições financeiras creden-ciadas: Banco da Amazônia (Basa), Banco do Nordeste do Brasil (BNB), Banco do Brasil (BB) ou outras que possuam condições especiais de financiamento para projetos.
Promover
a inclusão social dos agricultores familiares
enquadrados no Programa Nacional de Fortalecimento
da Agricultura Familiar - PRONAF, que lhe forneçam
matéria-prima;
Comprovar
regularidade perante o Sistema de Cadastramento
Unificado de Fornecedores - SICAF.
Adquirir
de agricultor familiar, em parcela não inferior a
percentual a ser definido pelo Ministério do
Desenvolvimento Agrário, matéria-prima para a
produção de biodiesel;
Celebrar
contratos com os agricultores familiares,
especificando as condições comerciais que garantam
renda e prazos compatíveis com a atividade, conforme
requisitos a serem estabelecidos pelo Ministério do
Desenvolvimento Agrário;
Assegurar
assistência e capacitação técnica aos agricultores
familiares.
Conferir
direito a benefícios de políticas públicas
específicas voltadas para promover a produção de
combustíveis renováveis com inclusão social e
desenvolvimento regional;
Ser
utilizado para fins de promoção comercial de sua
produção.
Acesso
livre para participação nos leilões de biodiesel.
50%
região Nordeste e Semi-árido
10%
região Norte e Centro Oeste
30%
região Sudeste e Sul
O papel do Ministério do Desenvolvimento Agrário
Prazo de validade
O Selo Combustível Social terá validade de cinco anos, contados do dia 1º de janeiro do ano subseqüente à sua concessão.
O produtor de biodiesel poderá solicitar ao Ministério do Desenvolvimento Agrário a renovação da concessão de uso do Selo com antecedência mínima de cinco meses do término de sua validade.
Sebo bovino:
destaque entre as matérias-primas
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Saiba mais sobre o
Protocolo e Kyoto e sua relação com o biodiesel
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Etanol: saiba mais
sobre suas vantagens e desvantagens na produção do biodiesel
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Vantagens
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Desvantagens
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No
mapa ao lado, produzido pelo Sebrae podemos ter uma
idéia de onde se situa a produção de grande parte das
matérias-primas utilizadas para a produção de biodiesel.
Como se percebe pelo mapa, as oleaginosas estão presentes em todo o território nacional, até mesmo nas áreas da Amazônia Legal, onde se verifica a cultura extrativista do dendê. No Mato Grosso, onde há ainda grandes áreas para implantação da agricultura, a soja tem se consolidando como principal grão, já se comprovando a presença também do girassol e algodão.
A soja tem avançado nos últimos anos também para o interior da Bahia, Tocantins, Piauí e Maranhão, mantendo-se como grande produto do agronegócio brasileiro. A mamona por sua vez, ainda resiste no semi-árido nordestino e deve receber mais incentivos para o seu retorno aos bons tempos de grandes produções. Nas regiões Sul e Sudeste, destaque para as culturas do algodão, da soja e amendoim, que cobrem razoáveis extensões de terra na região.
O Brasil é um país que por sua extensa área geográfica, clima tropical e subtropical favorece uma ampla diversidade de matérias-primas para a produção de biodiesel. Destacam-se dentre as principais matérias-primas cotejadas para o biodiesel, as oleaginosas como algodão, amendoim, dendê, girassol, mamona, pinhão-manso e soja. São também consideradas matérias-primas para biocom-bustíveis os óleos de descartes, gorduras animais e óleos já utilizados em frituras de alimentos.
Cada oleaginosa, dependendo da região na qual é cultivada e segundo as condições de clima e de solo, apresenta características específicas na produtividade por hectare e na percentagem de óleo obtida da amêndoa ou grão. A produtividade obtida também está diretamente associada às condições de clima e do sol, às tecnologias de cultivo, à qualidade de sementes e às tecnologias de processamento praticadas.
Embora o Brasil apresente excelentes perspectivas de cultivos para várias oleaginosas em diversas regiões do país, nem todas dispõem de estudos sobre o respectivo zoneamento agrícola. O pinhão-manso, a macaúba, o babaçu e o dendê, no Pará, não estão contemplados com esse importante estudo técnico, assim como outras oleaginosas indicadas como prováveis fornecedoras de óleo vegetal para a produção do biodiesel.
O zoneamento Agrícola de Risco Climático é uma ferramenta técnico-científica de auxílio à gestão de riscos climáticos na agricultura e serve de apoio para a concessão de crédito de custeio agrícola e seguro, além de orientação aos produtores. O zoneamento Agrícola é realizado para cada cultura e apresentado em notas técnicas, elaboradas por instituições técnicas ligadas a agricultura e editadas em portarias pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento - MAPA. Essas portarias são revisadas anualmente e publicadas no Diário Oficial da União e cada ano-safra relativas a cada cultura. As notas técnicas que as acompanham são elaboradas por cultivo, períodos de semeadura, cultivares indicadas bem como a relação de municípios no estado que dispõem de solos e clima mais adequados para o cultivo da oleaginosa, disponíveis no site www.agricultura.gov.br.
Qual o mercado do
biodiesel no Brasil e no mundo?
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Financiamentos e
Investimentos
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Finalidade |
Participação do BNDES | Custos da Operação(1) | Garantias |
| Investimentos em
todas as fases da produção de biodiesel (fase
agrícola, produção de óleo bruto, produção de
biodiesel, armazenamento, logística e
equipamentos para a produção de biodiesel),
sendo que, em relação às fases agrícola e de
produção de óleo bruto, podem ser apoiados
projetos desvinculados da produção imediata de
biodiesel, desde que seja formalmente
demonstrada a destinação futura do produto
agrícola ou do óleo bruto para a produção de
biodiesel; Aquisição de máquinas e equipamentos homologados para uso de biodiesel ou de óleo vegetal bruto; e Investimentos em beneficiamento de co-produtos e subprodutos do biodiesel. |
Até 90% (noventa
por cento) dos itens passíveis de apoio, para
projetos com Selo Combustível Social; Até 80% (oitenta por cento) dos itens passíveis de apoio, para projetos sem Selo Combustível Social. |
Micro, pequenas
e médias empresas, apresentando projetos com
Selo Combustível Social: TJLP + 1% a.a. Micro, pequenas e médias empresas, apresentando projetos sem Selo Combustível Social: TJLP + 2% a.a. Grandes empresas, apresentando projetos com Selo Combustível Social: TJLP + 2% a.a. Grandes empresas, apresentando proetos sem Selo Combustível Social: TJLP + 3% a.a. As condições acima acrescidas da remuneração do BNDES. |
As garantias
exigidas serão definidas de acordo com as
Políticas Operacionais do BNDES No caso de hipoteca, penhor (inclusive de títulos) e/ou alienação fiduciária, o valor da garantia deve corresponder, no mínimo, a 100% (cem porcento) do valor da colaboração financeira. Na fase de operação, poderá haver a dispensa, sob condições, de garantia real e pessoal, se houver em favor do BNDES e/ou do(s) agente(s) financeiro(s) vinculação de receitas provenientes de Contrato de Compra e Venda de Biodiesel. |
(1) - Os custos da operação são para aquelas realizadas diretamente pelo BNDES. No caso do financiamento ser pleiteado em um dos agentes credenciados (BB, BASA, BNB e outros) os custos da operaçãosão os descritos, acrescidos da remuneração da Instituição Financeira Credenciada.
Além disso, para a obtenção de financiamento à produção agrícola em vigor pelos bancos oficiais é necessário que a produção da oleaginosa esteja prevista no Zoneamento Agrícola de Risco Climático, divulgado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento – MAPA. As informações sobre os zoneamentos agrícolas aprovados para a safra 2006 – 2007 podem ser obtidas no endereço eletrônico www.agricultura.gov.br. Outra instituição com disponibilidade de recursos para financiamento dirigido ao segmento do biodiesel é a FINEP – Financiadora de Estudos e Projetos. A modalidade de financiamento destina-se à área de desenvolvimento tecnológico, e é ofertado mediante chamada pública para projetos que envolvem instituições de pesquisa e iniciativa privada.
E existe também a possibilidade de financiamento para investimentos no segmento de biodiesel correlacionado aos créditos de carbono e que podem ser obtidos por meio de dois mecanismos: 1) pela venda de cotas de carbono ao Fundo Protótipo de Carbono – PCF, mediante projetos que comprovam a redução das emissões de gases poluentes, e 2) pela obtenção de créditos de seqüestro de carbono, do Fundo Bio de Carbono – CBF, administrados pelo Banco Mundial.
Os objetivos para o Programa Nacional de Produção do Biodiesel são:
O BNDES decidiu ainda reduzir as garantias nas operações no âmbito do novo Programa de Biodiesel, além de aumentar os prazos de financiamento.
O percentual de garantias reais será reduzido dos atuais 130% para 100% do valor do financiamento. Além disso, haverá a possibilidade de dispensa de garantias reais e pessoais (sob certas condições) quando houver contrato de longo prazo para Compra e Venda de Biodiesel.
Outra medida adotada será a ampliação em 25% do prazo total de financiamento para aquisição de máquinas e equipamentos com motores que utilizem, pelo menos, 20% de biodiesel ou óleo vegetal bruto adicionado ao diesel, inclusive veículos de transporte de passageiros e de carga, tratores, colheitadeiras e geradores.
Recursos necessários para investimentos no programa de biodiesel poderiam vir tanto do mercado de carbono, como por meio de investidores que percebam nos ativos ambientais uma oportunidade rentável para seu capital.
As externalidades ambientais positivas existentes na produção de biodiesel e a necessidade dos países desenvolvidos de reduzir suas taxas de emissões de CO possibilitam que a agroindústria do biodiesel atraia capital externo para financiar o abatimento conjunto das emissões.
O Banco Mundial criou, em julho de
1999, o Prototype Carbon Fund – PCF, um fundo com a
finalidade de financiar projetos que visem mitigar os
efeitos das mudanças climáticas e promover o
desenvolvimento sustentável, com recursos da ordem de
150 milhões de dólares.
Para compor esse fundo, governo e empresas de países
desenvolvidos contribuem com recursos e tecnologia para
os projetos. O PCF repassa esses recursos para financiar
projetos de países em desenvolvimento.
A diferença entre as matérias-primas utilizadas na produção, assim como a escala da planta de transesterificação e a incidência tributária no produto, podem resultar em grandes diferenças de custo na produção do biodiesel. Essas diferenças podem, inclusive, gerar resultados contraditórios na comparação com o preço do diesel mineral, tornando a análise difícil. Vale a pena levar em consideração os custos com matéria-prima (óleo vegetal e álcool), catalisador, mão-de-obra, energia, custos administrativos e financeiros (custos de capital), além da margem do produtor. Para facilitar o entendimento do custo total do biodiesel, pode-se separar a etapa agrícola, composta pela plantação e esmagamento, da industrial.
Reduzindo o custo da etapa agrícola do custo de produção, obtém-se dois custos distintos: o custo do óleo e o custo de conversão. Já o custo de distribuição envolve custos de pós-produção, tais como transporte, mistura com óleo diesel, estocagem e revenda.
A tributação pode-se tornar definitiva para a implementação do projeto, como principal mecanismo de atratividade, capaz de tornar o custo final do biodiesel inferior ao do diesel mineral. Atualmente, os custos de matéria-prima e o custo de produção fazem com que o preço de venda do biodiesel seja relativamente alto. O método de produção mais utilizado é em reatores de batelada. O uso de processos contínuos e óleos crus é uma opção para a redução dos custos, além da recuperação do glicerol que também pode contribuir para essa redução de gastos.
A mamona, no nordeste, tem um preço mínimo de R$ 30,00 a saca de 60 quilos. Trabalha-se, aqui com R$ 36,00—20% acima do preço mínimo. O etanol anidro 65 quilos, a R$ 0,90. A título de processo, 20% sobre a matéria-prima. O dispêndio final seria de R$ 801,00. Creditando-se da valoração da polpa, são 310 quilos de polpa, 200 quilos de casca e 50 quilos de glicerina, perfazendo uma receita de R$ 376,00. Assim, R$ 801,00 - R$ 376,00 = 425,00. Este valor dividido pelos 560 litros de biodiesel produzidos a partir de 1 tonelada de mamona, teria-se um custo de R$ 0,76.
Para o éster de óleo de soja a estrutura de custo indica um valor de custo por litro de biodiesel, sem impostos, de R$ 1,27 em plantas integradas às unidades esmagadoras no sudeste e de R$ 1,19 no centro-oeste. As diferenças de custos aparentemente não são tão grandes. Isto depende do mercado, tanto do etanol como do metanol.
Para que seja possível estabelecer comparações, as alternativas de custo do biodiesel e do diesel mineral devem considerar os dois combustíveis sem impostos. Essas comparações devem, ainda, no caso do biodiesel, incluir todos os custos da produção agrícola e industrial. Não apenas custos operacionais, mas também, os custos relativos ao capital, custos da terra e, se for o caso, o custo dos assentamentos e suas benfeitorias.
Em casos em que haja outras culturas consorciadas com a mamona, tipicamente da agricultura familiar, devem-se considerar todos os custos associados e seus retornos. Só assim é possível avaliar corretamente o valor do subsídio alocado ao diesel.
Os custos de produção do biodiesel dependem essencialmente do custo da matéria-prima, do óleo vegetal ou outra substância graxa, e dos custos de processamento industrial, podendo subtrair-se os créditos de correntes da comercialização do glicerol.
Em geral, o custo do óleo vegetal corresponde à cerca de 85% do custo do biodiesel, quando este é produzido em plantas de alta capacidade. Há, portanto, interesse em reduzir os custos da matéria-prima e eventualmente, obter o material graxo a partir de rejeitos industriais: óleo de fritura usado, sebo e águas servidas.
A infra-estrutura existente na distribuição de diesel mineral permite que não haja grandes diferenças no custo de pós-produção para o biodiesel. Os únicos custos adicionais são compostos pela adequação dos equipamentos de estocagem e de transporte, que não afetam o preço final do produto comercializado em larga escala. O custo de distribuição e de revenda do biodiesel pode ser considerado o mesmo que o do diesel, ou seja, R$ 0,22 por litro.
Há diferenças também entre as cotações dos outros óleos vegetais (como o girassol, o dendê, a palma, etc.), que tornam o preço final do produto diferenciado. Além disso, existe também o biodiesel produzido através de óleos residuais, tais como frituras de lanchonetes e supermercados, que entram na função de produção como um crédito.
Isso ocorre porque os produtores de biodiesel estariam recebendo dinheiro para descartar os resíduos para tais estabelecimentos. O custo final seria extremamente menor do que o do óleo diesel. Porém, as limitações de oferta não tornam este cenário sustentável em escala industrial.
O gráfico abaixo demonstra o valor renunciado, por litro. Foram adotadas as premissas de que a margem de lucro na produção de óleo diesel da Petrobras gira em torno de 4%, e a margem aceitável para o produtor de biodiesel é de 10%.

Outro fator que deve ser levado em consideração é a chamada “Curva de Aprendizado”. O desempenho da produção do biodiesel em escala industrial deve melhorar com a prática, reduzindo o custo do produto no médio prazo. A curva de aprendizado do álcool pode ser semelhante à do biodiesel. Desde a implantação do Pró-Álcool, os custos de produção do etanol caíram quase 75%.
Na Europa e nos Estados Unidos o custo do biodiesel é hoje uma e meia a três vezes maior do que o diesel mineral. Não há previsão de reduções importantes desse custo no futuro.
O biodiesel é justificado por externalidades positivas como o meio ambiente, geração de emprego, segurança e balanço de pagamentos. O mesmo ocorreria no Brasil; com exceção possível no caso da mamona e pinhão-manso ou algumas oleaginosas que poderiam evoluir muito com a pesquisa agrícola. Contudo, é preciso conhecer mais a fundo os custos atuais e esperados no futuro.
Além de valorizar externalidades positivas importantes como a geração de empregos e renda, é importante dimensionar os níveis de subsídios necessários, decidir sobre a adequação, ou considerar alternativas.
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Fonte: Revista Biodiesel www.revistabiodiesel.com.br |